(Paulo Leminski)
3’32 Direto  BX-UJC-16-00008


À você amigo que perdi
Na passagem de Elvis para os Beatles
Alguém comigo e como eu andou
Eu era a lira que só o vento me sabia
Manejar
Eu era e hoje a calmaria
Não me toca e toca a silenciar a imaginar a
Imaginar
Você é daqueles que ainda lembram de
Uma guerra na Coreia
Dos que pensam ter ideia do que vale a
Vida pra morrer


Choveu, mas você é feito de uma
Substância
Que não deixa passar umidade
Calor, calafrio, cala boca
Ou eu te meto o braço que resta do braço
Amigo


À você amigo que eu perdi
Na passagem de Elvis para Beatles


Voz Juliana Cortes
Violão e guitarra Dante Ozzetti
Baixo elétrico e MPC Du Moreira
Percussão Vina Lacerda
Programação Guilherme Kastrup


(Mauricio Pereira)
3’03 warnel Chapell BX-UJC-16-00009

 

È justo para se lamentar, a gente abrir mão de segundos preciosos
Que talvez nos trouxessem direito um pro outro?
È justo que um pote de ouro venha ao seu encontro e ao meu
E desencadeie pânico, paralisação, desastres, desculpas?


È justo te dar um beijo na boca à margem da testa, da fala
E da escrita, de uma represa, uma festa?
É justo permitir que uma palavra desgovernada deixe minha boca
E aumente minha resistência à você?


Se uma pessoa só é uma máquina só
Se ela provavelmente
Canta, dança, pensa, treme
Aflita


Não será que tem respostas nas pontas dos dedos
Dados, balangandãns no pensamento
Que costumem nos acompanhar?


Voz Juliana Cortes
Violão Dante Ozzetti
Baixo Ronaldo Saggiorato
Percussão Vina Lacerda
Programação Guilherme Kastrup


(Grace Torres / Ulisses Galetto)
3’35 Direto BX-UJC-16-00004


Vida bandida
Que valha a pena o enleio
Aquela que nasce
Que vai, que vem, devaneio


Tempo presente
O pouco que vale o tudo
Passo que é dado
Cominho que vai pelo mundo


Justo momento
Um ponto que mostra a partida
Rastro que é feito
História que nasce que fica


Galho que verga
O vento que vem desmedido
Toca em tudo
E tira, e leva e deixa


Carga pesada
O ombro, as pernas, o corpo
Olhos fechados
Enxergam o que alma suplica


Sobre o tapete
Parada, quieta e serena
vida bendita
Que entra, que sai e que deixa


Voz Juliana
Piano* Diego Schissi
Bandoneon* Santiago Segret
Contrabaixo* Juan Pablo Navarro
Violoncelo* Romildo Weigartner
Arranjo base Dante Ozzetti

*Arranjo Coletivo


(Leo Minax / Chico Amaral)
4’03 ADDAF/ Tapajós Edições BX-UJC-16-00007 


Qualquer coisa nova tá velha
Qualquer coisa antiga tá nova
Feito brasa de uma centelha
Ou cinza que se remova


Tempo que passa, passa na esquina
Faz uma graça e se manda
O tempo anda direto no Circular 102
Desce ali na Santa Casa e volta depois


O tempo não dorme no ponto


Qualquer coisa nova tá velha
Qualquer coisa antiga tá nova
Feito brasa de uma centelha
Ou cinza que se remova

Como o cabelo, volta na ovelha
Como o novelo da cobra
O tempo esquece o protocolo
E vai lembrar outra vez
Tempo menino de colo
Pedreiro chinês


O tempo na esquina de sempre com
Nunca mais
Compensa a memória fraca com vigor
De rapaz
Tempo que roda, o tempo que volta, o
Tempo que roda
Roda a catraca das ilusões imortais


Qualquer coisa nova tá velha
Qualquer coisa antiga tá nova
Feito brasa de uma centelha
Ou cinza que se remova


Voz Juliana Cortes
Violão Dante Ozzetti
Flugelhorn Rogério Leitum
Clarinete Sérgio Albach
Baixo  Ronaldo Saggiorato
Percussão Vina Lacerda
Programação  Guilherme Kastrup


(Carlos Carega / Simone Wicca)
3’12 Direto BX-UJC-16-00006


Como diz minha mestra
Eu costuro mesmo é pra dentro
Eu teço os meus fios internos
Pra organizar os meus tormentos


Eu sou boa com nós
Cuido bem de mim
Nos tecidos das palavras
Eu me faço valer ate o fim


Com linhas, agulhas e teares
Choro todos os meus “ais”
Quando penso em você
Nunca mais


E fica faltando uma palavra
Desconstruir a fotografia
Cada um inventa a sua
Cada um é pó e poesia


Sou desgarrada e precisa
Já acostumei sua canção
Matéria cor que se realiza
Quem suporta é meu coração

 

Voz Juliana Cortes
Violão e máquina de costura Dante Ozzetti
Baixo Ronaldo Saggiorato
Percussão Vina Lacerda
Programação Guilherme Kastrup


(Alexandre Nero) Direto
BRGPA 130082 03:26

 

Interessante, aquele passarinho
Devagar, quase pairando
Interessante, aquele passarinho
Que pelo espaço imenso adeja

 

Não tem nada
porque nada deseja
A terra verde é sua
O céu azul é teu

 

Interessante, aquele passarinho
Tem muito mais que eu

 

Arranjo Ronaldo Saggiorato
Voz Juliana Cortes
Guitarra Luis Otávio Almeida
Baixo elétrico Ronaldo Saggiorato
Piano Davi Sartori
Percussões Vina Lacerda


(Leo Minax / Estrela Lemiski)
4’00 ADDAF/Direto BX-UJC-16-00005


Hombre
Mujer

 

Sobre
Cambia
Nombre
Misma
Hambre
Hombre
Libro
Mujer

 

Libra
Cambia
Timbre
Mismo
Libre
Hombre
Siembra
Mujer

 

Hembra
Cambia
Miembro
Misma
Obra

 

Cambia
Miembro
Misma
Obra

 

Cambia
Timbre
Mismo
Mimbre

 

Hombre
Mujer

 

Lumbre
Cambia
Suerte
Misma
Muerte
Hombre
Libro
Mujer

 

Libra
Cambia
Timbre
Mismo
Libre
Hombre
Siembra
Mujer

 

Hembra
Cambia
Membro
Misma
Obra

 

Cambia
Miembro
Misma
Obra

 

Cambia
Miembro
Misma
Obra
Cambia
Timbre
Mismo
Mimbre

 

Voz Juliana Cortes
Participação especial Paulinho Moska
Piano* Diego Schissi
Bandoneon Santiago Segret
Contrabaixo* Juan Pablo Navarro
Violoncelo Romildo Weingartner
Percussão Vina Lacerda


Violão e arranjo base
Dante Ozzetti
*Arranjo coletivo



(Dany López / tradução: Juliana Cortes e Dany López)

4’40 Direto BX-UJC-16-00002


E já vem chegando
Posso adivinhar
Neste ar quieto do lugar
As folhas não se movem
Quando cala o vento
Quando há silêncio
Só se pode esperar
Só o tempo saberá o que o vento trará


A semente espera
Embaixo da terra seca
Transformar-se em pedra
Ou germinar em um broto verde, ao fim
Só o tempo saberá o que florescerá


Um desejo que traz
O assovio do vento
Vem de algum lugar
Suspenso no tempo


E já vem chegando
Posso adivinhar
Nesta voz ausente do lugar


As folhas não se movem
Quando cala o vento
Quando há silêncio
Só se pode esperar
Só o tempo saberá o que o vento trará


No ar que corta
O aroma incerto
Se ouve a madeira murmurar
A canção que diz, ao fim
Só o tempo saberá o que florescerá


Uma promessa gris
Distraindo a arte
Uma gota de azul suspensa no ar
(en el aire)

 

Voz Juliana Cortes 
Vibrafones e arranjo Antônio Loureiro 
Arranjo base Dante Ozzetti 
Violoncelo Romildo Weingartner 
Baixo elétrico e MPC Du Moreira 
Percussão Vina Lacerda  


(Vitor Ramil)

Direto BRGPA 130081  05:21

 

Vou num carro são
Sigo essa frente fria
Pampa a dentro e através
Desde o que é libres sigo livre
E me espalho sob o céu
Que estende tanta luz
No campo verde a meus pés

 

O que vejo lá?
Mata nativa instiga o olho
Que só visa me levar
Sobe fumaça branca
E a pupila se abre pra avisar
Se há fumaça, há farrapos por lá
Eu acho que é bem

 

Eu indo ao pampa
O pampa indo em mim

 

Quase ano 2.000
Mas de repente avanço
A mil e oitocentos e trinta e oito
Eu digo avanço porque é claro
Que os homens por ali
Estão pra lá dos homens do ano 2.000

 

Oigalê, que tal!
Sou o futuro imperfeito
De um passado sem lugar
Com a missão de olhar pra tudo
E em tudo viajar
Pra não ser só um cego
Num espaço sem ar

 

Eu acho que é bem

 

Eu indo ao pampa
O pampa indo em mim

 

Diz um capitão
“seja bem vindo, hombre
Nosso tempo é todo teu
Tempo de morte, dor e fome
Mas tempo de pelear
Onde as idéias
Não são cegas sem ar

 

Só vou te pedir
A montaria, exausta
Não consegue mais andar
Que a partir de agora
Seja nosso o carro em que estás
Pois só um carro são
Nos pode levar”

 

E lá vamos nós
Seguindo a frente fria
Pampa a dentro e através
Séculos XIX e XXI fundidos sob o céu
Que estende tanta luz
No campo rubro a meus pés

 

Arranjo Gilson Fukushima
Voz Juliana Cortes
Guitarra Luis Otávio Almeida
Viola caipira Du Gomide
Violoncelo Romildo Weingarther
Baixo elétrico Ronaldo Saggiorato
Percussão Vina Lacerda

(Homero Manzi/ Lucio Demare) Direitos reservados
BRGPA 130087 03:49

 

Bruna, Bruna
Nació María y está en la cuna
Nació de día, tendrá fortuna.
Bordará la madre su vestido largo
Y entrará a la fiesta con un traje blanco
Y será la reina cuando maría cumpla quince años.

 

Ojos grandes tendrá María
Dientes de nácar, color moreno
Ay qué rojos serán tus labios
Ay qué cadencia tendrá tu cuerpo!
Vamos al baile, vamos María
Negra la madre, negra la niña
Negra!… Cantarán para vos
Las guitarras y los violines
Y los rezongos del bandoneón.

 

Te llamaremos, Negra María
Negra Maria, que abriste los ojos em Carnaval!!

 

Bruna, Bruna
Murió María y está em la cuna.
Se fue de dia sin ver la luna.
Cubrirán tu sueño con un paño blanco
Y te irás del mundo con un traje largo
Y jamás ya nunca
Negra María, tendrás quince años.

 

Ay qué triste fue tu destino,
Ángel de mota, clavel moreno!
Ay qué osculo será tu lecho!
Ay que silencio tendrá tu sueño!

 

Vas para el cielo, Negra María
Llora la madre, duerme la niña
Negra! Sangrarán para vos
Las guitarras y los violines
Y las angustias del bandoneón.

 

Te lloraremos, Negra María
Negra María, cerraste los ojos em Carnaval.

 

Voz Juliana Cortes
Violão e Voz Joel Muller
Dedicado à Maria Carolina. Sempre em nossos corações


(Dante Ozzetti/Arrigo Barnabé)
3’14 Direto BX-UJC-16-00003

 

Assim que jamais pensou no mal
Floriu, em natureza criminal
Abriu, o seu coração atroz
Enfim, ele e o mal estavam sós


Um inseto, um louva-a-deus despontou
Naquela alma sem amor


Alguém filtrou o sal do mar
E fez do sal o mar
Alguém ferveu o azul do céu
E fez a cor do fel


Quem poderia censurar?
Mais um anjo perde as asas ao te olhar

 

Voz Juliana Cortes
Participação especial Arrigo Barnabé
Violão e Guitarra Dante Ozzetti
Baixo Ronaldo Saggiorato
Percussão Vina Lacerda
Programação de vozes Arrigo Barnabé Valderval O. Filho e Luis Lopes



(Paulo Leminski/ Vitor Ramil)
3’44 DIRETO BRGPA 130083 


Desta vez não vai ter neve
Como em Petrogrado aquele dia
O céu vai estar limpo e o sol brilhando
você dormindo e eu sonhando


Nem casacos nem cossacos
Como em Petrogrado, aquele dia
Apenas você nua e eu como nasci
eu dormindo e você sonhando



Não vai mais ter multidões gritando
como em Petrogrado, aquele dia
Silêncio, nós dois, murmúrios azuis
eu e você dormindo e sonhando


Nunca mais vai ter um dia
como em Petrogrado, aquele dia
Nada como um dia indo atrás de outro vindo
você e eu sonhando e dormindo


Arranjo Luis Otávio Almeida
Voz Juliana Cortes
Guitarra  Luis Otávio Almeida
Viola caipira Du Gomide
Baixo elétrico Ronaldo Saggiorato
Violoncelo Romildo Weingarther
Percussões Vina Lacerda
Participação especial Vitor Ramil


(Dante Ozzetti / Luiz Tatit)
4’04 Direto BX-UJC-16-00010

 

De norte a sul
O vento traz
Histórias e outas milongas mais
Se vira blues ou mesmo jazz
No fundo é agente que faz


Chega um carinha da zona de euro
Que segue viagem até Xangrilá
Porta-estardante da escola de samba
Do Rio de Janeiro em POA


Vão se ver
Vão se unir
Dois em um
Na imensidão
Do Campo Geral
Céu azul
Nuvem não
Calafrio
A resumir
O bem e o mal


Voz Juliana Cortes
Guitarra Dante Ozzetti
Baixo Ronaldo Saggiorato
Piano Fábio Cardoso
Percussão Vina Lacerda
Programação Guilherme Kastrup


(Vítor Ramil)
Direto BRGPA130080 03:45

 

Que horas não são?
A onda nunca vai quebrar
É sempre a mesma estação
O sol queimando o teu olhar

 

Deus fez o céu
E pois a terra pra rodar
Ela empacou no sinal
Do sol brilhando em teu olhar

 

Que horas não são?
A gente imóvel num cartão postal
Seca e verão
É o sol no teu olhar

 

Olha pro chão
Um gesto teu e a onda vai quebrar
A terra cruza o sinal
O sol é a desculpa pra chorar

 

Arranjo Luis Otávio Almeida
Voz Juliana Cortes
Guitarra Luis Otávio Almeida
Oud Soufian Saihi
Baixo elétrico Ronaldo Saggiorato
Violoncelo Romildo weingarther
Piano Davi Sartori
Percussões Vina Lacerda

 

(Julio Barreto) Editora Humaitá
BRGPA 130086 03:44

 

A santa da Santana chorou sangue
Chorou sangue: era tinta vermelha
A nossa santa padroeira chorou sangue
Chorou sangue: era Deus e beleza

 

Despego meu!
Quem girou a moenda partiu
Na pressa o rosário quebrou
Chorou, ah! Chorou.

 

Louveira santa desata o apuro
Leve o tanto, sempre sido só!
Tange solto quebrado, quebrado
Claro carmo, nossa sede obá!

 

Madeira oca estende o apulso
Capela sertana, sementeiro
Lajedo molhado, pisado, pisado
Claro carmo, nossa sede obá!

 

Arranjo Ronaldo Saggiorato
Voz Juliana Cortes
Guitarra Luis Otávio Almeida
Baixo elétrico, violão e vozes em oração Ronaldo Saggiorato
Percussões Vina Lacerda


(Vitor Ramil / Paulo Leminski)
3’05 Direto BX-UJC-16-00001

 

Uma carta uma brasa através
Por dentro do texto
Nuvem cheia da minha chuva
Cruza o deserto por mim

 

A montanha caminha
O mar entre os dois
Uma sílaba
Um soluço
Um sim
Um ai
Sinais dizendo nós
Quando não estamos mais

 

Voz Juliana Cortes
Violão Dante Ozzetti
Violoncelo Romildo Weingartner
Baixo Ronaldo Saggiorato
Programação Guilherme Kastrup