CD GRIS – Jornal Zero Hora, Juarez Fonseca, 2016

A inédita Uma carta uma brasa através, poema de Paulo Leminski musicado por Vitor Ramil, abre o segundo álbum da cantora curitibana Juliana Cortes. Desde o primeiro disco (Invento, 2013) adepta da estética do frio, ela agrupou músicas que dialogam com esse espírito sulino, meio melancólico, e outras mais identificadas com a MPB clássica, mas da mesma forma sem climas tropicais. Juliana diz que o primeiro filtro para a escolha do repertório foi buscar canções com narrativas, “poucas vezes a poesia aparece em primeira pessoa”. É o caso de Germinal, do uruguaio Dany López, e de O mal, tango de Dante Ozzetti e Arrigo Barnabé. Produtor do disco, Ozzetti construiu arranjos delicados para apoiar a voz também delicada e linda de Juliana. Praticamente o mesmo grupo de grandes músicos participa dos arranjos, exceto no quase-tango Bandida (Grace Torres/Ulisses Galetto) e em Mismo (Leo Minax/Estrela Leminski), ambas gravadas em Buenos Aires com músicos argentinos – em espanhol, Mismo tem a participação de Paulinho Moska. Entre os destaques, duas belas canções: Circular 102 (Leo Minax/Chico Amaral) e Balangandãs (Maurício Pereira). Outras milongas (Ozzetti/Luiz Tatit), cuja letra se refere ao RS, fecha o disco.

http://zh.clicrbs.com.br/rs/opiniao/colunistas/juarez-fonseca/noticia/2016/12/sincretismo-sinfonico-8571379.html

 

 

Zero Hora Juarez

 

Por lumendesign

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